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[pre]textos

do tempo que por mim passa


Domingo, 07.01.24

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Acompanho, com incómodo e dificuldade, a atualidade política, local e nacional. Não consigo optar por qualquer dos projetos que os partidos políticos propõem. Por ideologia, não esclarecida, mas também pelas dinâmicas. Nem sei bem porquê já que, assumir o catolicismo é um compromisso bem mais abrangente e controverso. Assim vamos vivendo em condição paradoxal.

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por JNobre

Quarta-feira, 24.03.21

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Minha mãe dizia que a impressionavam as ruínas das casas. Que se interrogava sobre quantas vidas (e que vidas) teriam passado no resguardo daquelas paredes. A mim enche-me a alma de mistério o silêncio das coisas, móveis e objetos, no interior das casas que conheço e que, de tempos a tempos, ocupo. Observo as horas a que o sol dá vida no seu percurso inexorável, de nascente a poente, e sinto-o como um dia da Criação: houve uma manhã e uma tarde; e este foi o (...) dia!

Onde estava eu quando o sol percorreu as paredes ausentes da Casa da Avó Marta, no Porto ou, muito mais a sul, no nosso apartamento de Ayamonte? Em qualquer destes lugares há móveis, roupas de cama, livros, candeeiros, utensílios de cozinha, simplesmente à espera de nos serem úteis. De, assim ganharem "vida" e sentido. Um dia, porém, partiremos de vez. Mas eles, no seu mistério  permanecerão, a uso de quem nos sobreviver.

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por JNobre

Terça-feira, 26.11.19

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Vejo (ouço) uma entrevista a Siza Vieira, professor e arquiteto. Volto a perceber que somos uma mistura complexa de experiências e do modo como delas retiramos "conhecimento"; somos as circunstâncias, as ocasiões e oportunidades; mas somos, também, as escolhas que fazemos. Em tudo isto somos um "fluir" simples, um inexplicável mistério ou milagre. A "história" de Siza parece uma história "vulgar". A mesma "vulgaridade" do génio, como de um Manoel Oliveira ou de uma Agustina Bessa-Luís. E nem se pode dizer que tenha tido uma vida "fácil"...

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por JNobre

Domingo, 18.08.19

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Retomo a leitura de um texto que José Pedro Angélico escreveu para a Comunidade Cristã da Serra do Pilar, como comentário/homilia às leituras do XVIII Domingo do Tempo Comum. Aqui se fala da inutilidade do "acumulado", da arrogância que deriva do "ter", do "possuir" (Lucas 12,13-21). O autor discorre sobre a "horror" ao vazio que nos vem da Natureza, e estabelece um paralelismo entre o "vazio" dos "dias comuns", aparentemente "cheio" de banalidades. Pelo contrário, evoca o "vazio" que o místico deseja criar dentro de si, para que o Espírito possa "ocupar" esse espaço. Num Tempo em que luto pela gestão dos meus "teres" mas, sobretudo, da minha memória, ler e reler este texto provoca-me, convoca-me. Não deixo de registar/verificar mais este paradoxo: como um bom texto académico, de estudo, é rico em citações, em "referências". Que seria dos estudiosos sem a "memória " sem a arte da escolha, da seleção,  da catalogação!

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por JNobre

Terça-feira, 04.06.19

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A minha "viagem" continua. Sinto cada emoção, positiva ou negativa, mais leve ou mais intensa, vivida em paz ou sob cansaço, como um passageiro no bojo de um avião. Sinto cada hora do dia como uma "passagem" de luz. Sucedem-se as rotinas, por entre acalmias e turbolências. De entre estas, algumas bem intensas, intermináveis; outras, como réplicas, mais suaves e toleráveis. Um dia, chegarei. Será o momento da "aterragem". Chegarei, então, ao meu destino - cidade que é como a "nova" Jerusalém - ou sentirei o conforto do "regresso" a casa.

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por JNobre

Segunda-feira, 29.04.19

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Volto a escrever sobre as emoções. Sinto necessidade disso. Descobri na mais profunda tristeza um refúgio e nas lágrimas um conforto. Aliás ouvi de passagem, como por acidente, um orador que falava da importância da experiência da frustração. Então, enquanto vou experimentando emoções diversas, da alegria ao temor, do conforto à dor da incerteza e da insegurança, vou pensando na importância que há em "sentir", "experimentar" quantas cambiantes de côr, luz da alma, se nos deparam! E jamais chegaríamos a experimentar a felicidade (?) se não fosse por contraste com o sofrimento, a dor, a tristeza e a morte. Por enquanto, porém, ainda há luz.

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por JNobre

Sábado, 20.04.19

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Estar em [isla] Canela é verdadeiramente "estar". Porque enquanto aqui estou é como se sempre aqui tivesse estado. E mal compreendo de onde vim, como aqui cheguei. Mas "lembro-me" (ou esforço-me por me lembrar): desejei muito aqui chegar; ao temor da viagem respondi com o deleite dos percursos das memórias, das "grandes" viagens do passado. Depois, abri as portas, generosas guardiãs dos nossos objetos, dos nossos espaços, das nossas memórias.

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por JNobre

Sábado, 20.04.19

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As emoções são como água que corre. Não se podem agarrar. E todas são marcantes experiências de Vida que gostaríamos de melhor reter para as compreender ou a elas recorrer como restauro ou refrigério. Enquanto caminho, enquanto viajo, enquanto medito, enquanto planeio, enquanto decido, enquanto executo: quisera, por vezes (muitas vezes) suster o Tempo e fixar "para sempre" o Momento. Como se faz com uma fotografia, o gesto que os telemóveis, verdadeiras "máquinas fotográficas", vulgarizou, nas sociedades mais prósperas.

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por JNobre

Terça-feira, 19.02.19

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Pode ser que tenha querido acreditar na(s) Utopia(s) admitindo que se realizaria(m) por muito Querer. Esqueci-me, porém, da Realidade! Desta aprendi que é imprevisível, intempestiva, surpreendente, inconveniente... como a Morte, aliás. Neste sentido, não estamos preparados para fazer face a qualquer destas inevitabilidades: Realidade, Morte. E, no entanto, a Vida! Uma experiência como de um Intervalo ou uma peça-em-três-actos?

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por JNobre

Domingo, 30.09.18

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Tenho sido, de há um ano ou alguns meses para cá, muito sensível ao gap geracional. Não faço questão em me "manter jovem" mas faço por cuidar de mim. Acho que é uma obrigação, já que não me pertenço a mim próprio, não sou por mim mesmo! Mas a marca da nossa "formatação", para utilizar uma analogia com um dos fundamentos da tecnologia dominante, é uma evidência. Há que assumi-lo sem medo e sem preconceitos, sabendo que nem tudo do que hoje se manifesta, no espaço cultural público, permanecerá realmente. Tecnologias obsoletas é o que mais há e, no entanto, mesmo na evolução disruptiva, uma essência das coisas permanece: um carro é um carro, uma viatura de 4 rodas, seja puxado por um par de mulas ou impulsionado pela queima de um combustível.

Reconheço as minhas limitações culturais mas com uma atitude diferente: há 25/30 anos eu buscava formar-me pela leitura dos jornais impressos (sobretudo pelas entrevistas a personalidades e/ou pelos artigos de opinião) e fazia-o consciente das minhas limitações de origem (que esperava suprir, em tempo, com alguma disciplina pessoal); hoje tenho a sensação que as dinâmicas culturais correm a uma velocidade difícil de acompanhar não tanto pela "velocidade" da sua eventual evolução como pela menor capacidade de processamento da minha máquina intelectual.

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por JNobre


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